É possível vender imóveis com alienação fiduciária?
Tecimob
Você já perdeu uma venda porque o imóvel estava com alienação fiduciária e não sabia como proceder? Ou pior: seu cliente encontrou o imóvel dos sonhos, mas descobriu que ele ainda está sendo financiado pelo proprietário atual?
Essa situação é mais comum do que você imagina. Muitos corretores ficam inseguros ao lidar com imóveis alienados, mas a verdade é que, sim, é possível vender um imóvel financiado desde que você conheça o processo correto.
Neste guia, você vai entender tudo sobre alienação fiduciária, como funciona na prática e, principalmente, como conduzir essas vendas com segurança jurídica para todas as partes envolvidas.
O que é Alienação Fiduciária? Entenda de uma vez por todas

Vamos começar pelo básico, sem juridiquês complicado.
Alienação fiduciária é uma garantia usada em financiamentos onde o comprador transfere temporariamente a propriedade do bem para o credor (geralmente um banco) até que a dívida seja totalmente quitada.
Quebrando o termo:
- Alienar = transferir a propriedade
- Fiduciária = baseada em confiança
Na prática, funciona assim: quando alguém financia um imóvel, o banco fica como proprietário legal do bem até o último pagamento. O comprador pode morar, usar e usufruir do imóvel, mas o dono “no papel” é a instituição financeira.
Como isso funciona no dia a dia?
Imagine que João financiou um apartamento em 360 meses (sim, 30 anos). Durante todo esse período:
- João pode morar no apartamento, reformar, alugar para terceiros
- O banco é o proprietário registrado na matrícula do imóvel
- Se João parar de pagar, o banco pode retomar o imóvel através de busca e apreensão
É diferente de um aluguel porque João está pagando para se tornar dono. E é diferente de uma compra à vista porque ele ainda não tem a propriedade completa.
Por que pessoas vendem imóveis com alienação fiduciária?
Essa é uma realidade muito comum no mercado imobiliário brasileiro. Os motivos mais frequentes são:
- Mudança de cidade por motivos profissionais ou pessoais
- Dificuldade financeira para continuar pagando as parcelas
- Upgrade ou downgrade – trocar por um imóvel maior ou menor
- Divórcio ou separação que exige a venda dos bens
- Oportunidade de investimento em outro imóvel ou negócio
E aqui está o ponto importante: o sonho da casa própria nem sempre termina com a última parcela paga. A vida muda, as necessidades mudam, e vender um imóvel financiado se torna necessário.
É possível vender um imóvel alienado?
Sim, é totalmente possível vender um imóvel com alienação fiduciária. Porém, existem procedimentos específicos que precisam ser seguidos à risca.
O ponto principal é este: você não pode simplesmente fazer um contrato de compra e venda como se o imóvel estivesse livre. O banco precisa estar ciente e participar ativamente do processo.
As 3 formas principais de vender um imóvel financiado
1. Quitação antecipada pelo vendedor
O vendedor quita todo o saldo devedor com o banco antes de vender. Pode usar:
- Recursos próprios
- Sinal dado pelo comprador
- Empréstimo pessoal ou com garantia
Vantagem: Processo mais rápido e simples
Desvantagem: Vendedor precisa ter ou conseguir o dinheiro da quitação
2. Transferência do financiamento (portabilidade)
O comprador assume o financiamento diretamente com o banco. O procedimento envolve:
- Análise de crédito do novo comprador
- Renegociação das condições (taxa, prazo)
- Substituição do devedor no contrato
Vantagem: Vendedor se livra da dívida, comprador pode conseguir condições melhores
Desvantagem: Burocracia maior, análise de crédito pode reprovar o comprador
3. Acordo direto entre comprador e vendedor
O comprador se compromete a quitar o saldo devedor e depois transferir o imóvel. Tudo documentado em contrato.
Vantagem: Flexibilidade na negociação
Desvantagem: Risco maior, exige garantias contratuais.
Passo a passo: Como vender um imóvel com alienação fiduciária

Agora vamos ao que realmente importa: o procedimento correto para fechar essa venda sem dor de cabeça.
Passo 1: Levantamento do saldo devedor
Antes de qualquer negociação, você precisa saber:
- Quanto ainda falta pagar do financiamento
- Qual a taxa de juros aplicada
- Se há multas ou taxas para quitação antecipada
- Quantas parcelas já foram pagas
Dica profissional: Peça ao vendedor o último boleto pago e contato direto com o gerente da conta. Alguns bancos informam o saldo devedor pelo app.
Passo 2: Contato com a instituição financeira
Este passo é obrigatório. Você precisa:
- Informar ao banco sobre a intenção de venda
- Solicitar as condições para transferência ou quitação
- Entender os procedimentos específicos daquela instituição
- Obter documentação oficial sobre o saldo devedor
Atenção: Qualquer venda feita sem conhecimento do banco não tem validade legal. O vendedor continuará responsável pelas parcelas e tributos.
Passo 3: Análise com o comprador
Apresente as opções disponíveis para o comprador:
- Ele tem interesse em assumir o financiamento?
- Prefere quitar e fazer um novo financiamento em seu nome?
- Tem recursos para quitar à vista?
Use a Tecimob para organizar essa etapa: No CRM, você pode registrar todas as conversas, anexar propostas e acompanhar o progresso da negociação. Quando você tem tudo documentado, evita mal-entendidos e ganha agilidade.
Passo 4: Solicitação de substituição do alienante
Se o comprador vai assumir o financiamento, o processo formal é:
- Solicitação escrita ao banco
- Apresentação de documentos do novo comprador
- Análise de crédito pela instituição
- Aprovação e assinatura de aditivo contratual
Prazo médio: 15 a 45 dias (varia por banco)
Passo 5: Quitação e transferência
Com a aprovação do banco:
- Quitação do saldo devedor (se for o caso)
- Emissão de carta de quitação pelo banco
- Baixa da alienação fiduciária na matrícula
- Lavratura da escritura de compra e venda
- Registro no Cartório de Imóveis
Cuidado: Só finalize quando a carta de quitação estiver em mãos e a matrícula atualizada.
Para entender melhor como prosseguir nesses casos, confira o vídeo abaixo de um dos nossos especialistas:
Vantagens e desvantagens da alienação fiduciária
Vantagens para quem financia
Juros menores: Por ser uma garantia mais segura para o banco, as taxas são mais baixas que outras modalidades
Mais parcelas: Financiamentos podem chegar a 35 anos (420 meses)
Aprovação facilitada: Bancos têm menos restrições com alienação fiduciária
Descontos na entrada: Instituições costumam oferecer melhores condições
Desvantagens que você precisa conhecer
Propriedade não é do cliente até quitar: O imóvel está no nome do banco
Busca e apreensão rápida: Se atrasar, o banco pode retomar o bem em processo mais ágil
Venda mais burocrática: Precisa de autorização do banco para vender
Impossibilidade de segunda garantia: Diferente da hipoteca, não pode usar o mesmo imóvel como garantia em outro financiamento
Alienação Fiduciária x Hipoteca x Penhor: Qual a diferença?

Muitos corretores confundem esses termos. Vamos esclarecer de uma vez:
Alienação Fiduciária
- Propriedade: fica com o credor (banco)
- Retomada: busca e apreensão extrajudicial (mais rápida)
- Documentação: não exige escritura pública
- Uso: comum em financiamentos habitacionais
Hipoteca
- Propriedade: fica com o devedor
- Retomada: execução judicial (mais demorada)
- Documentação: exige escritura pública
- Uso: pode ser usada múltiplas vezes no mesmo imóvel
Penhor
- Objeto: bens móveis (joias, veículos, coleções)
- Posse: credor detém fisicamente o bem
- Retomada: o bem já está com o credor
- Uso: empréstimos menores, penhoras de bens
Para corretores: Na prática, você vai lidar principalmente com alienação fiduciária em financiamentos habitacionais e com hipoteca em casos de garantias para empréstimos.
Base legal: O que diz a lei sobre alienação fiduciária
A alienação fiduciária de imóveis é regulamentada pela Lei 9.514/97 (artigos 22 a 33) e, em alguns aspectos, pelo Código Civil.
Pontos importantes da lei:
Notificação obrigatória: Se o devedor atrasar, o banco deve notificá-lo para pagar em 15 dias. Sem pagamento, o imóvel retorna ao banco.
Leilão público: O banco tem 30 dias após retomar o imóvel para colocá-lo em leilão público.
Direito de purgar a mora: Até a assinatura do auto de imissão na posse, o devedor pode pagar o débito e retomar o imóvel.
Responsabilidade tributária: Enquanto o devedor ocupar o imóvel, é responsável pelos tributos (IPTU, condomínio).
Cuidados ao intermediar uma venda com alienação fiduciária
Como corretor de imóveis, você é o profissional que precisa garantir a segurança de todos. Alguns cuidados são fundamentais:
1. Jamais assine contratos sem anuência do banco
Parece óbvio, mas acontece: vendedor e comprador fazem um “acordo paralelo” sem comunicar o banco. Resultado: o vendedor continua devendo, o comprador não tem garantias, e você pode responder civilmente.
2. Documente absolutamente tudo
- Todas as conversas com o banco
- Propostas enviadas e recebidas
- Documentos solicitados e entregues
- Prazos acordados
A Tecimob oferece um sistema completo para você centralizar toda essa documentação. Você pode anexar arquivos, registrar ligações, criar lembretes e ter um histórico completo de cada negociação.
3. Verifique a matrícula atualizada
Sempre solicite uma certidão de matrícula atualizada (não mais que 30 dias) para conferir:
- Se a alienação fiduciária está realmente registrada
- Se há outras pendências (penhoras, ações)
- Os dados corretos do credor
4. Esclareça todos os custos envolvidos
Seja transparente sobre:
- Taxas do banco para transferência
- Custos cartorários
- ITBI (Imposto de Transmissão)
- Possíveis multas por quitação antecipada
5. Gerencie expectativas de prazo
Vendas com alienação fiduciária demoram mais. Seja honesto com seu cliente sobre isso. Um processo bem conduzido leva de 30 a 60 dias.
Como a tecnologia facilita vendas com alienação fiduciária
Gerenciar uma venda de imóvel alienado envolve múltiplas etapas, documentos e prazos. Fazer isso no papel ou em planilhas é receita para esquecimentos e atrasos.
Com um CRM imobiliário profissional como a Tecimob, você pode:
Criar funis de venda específicos para imóveis financiados, com etapas como:
- Levantamento de saldo devedor
- Contato com banco
- Análise de crédito do comprador
- Quitação ou transferência
- Documentação final
Automatizar lembretes para não perder prazos críticos como:
- Renovação de propostas
- Validade de certidões
- Retorno do banco
- Agendamentos de assinaturas
Centralizar documentos em um só lugar:
- Contratos
- Propostas
- Certidões
- Comunicações com o banco
- Comprovantes de pagamento
Acessar tudo pelo celular, podendo consultar informações e atualizar o status da negociação de qualquer lugar.
Além disso, você pode compartilhar informações relevantes com seu cliente via WhatsApp Web diretamente pela plataforma, mantendo tudo registrado e organizado.
Saiba mais sobre o plugin de atendimento para WhatsApp Web
7 erros que você NÃO pode cometer ao vender imóveis alienados
Erro 1: Aceitar propostas sem consultar o banco primeiro
Você apresenta uma proposta, o cliente aceita, aí descobre que o banco não autoriza a transferência ou cobra taxas absurdas.
Erro 2: Não verificar a situação de pagamento do vendedor
Se o vendedor já está com parcelas atrasadas, o processo fica muito mais complicado. Verifique isso antes de investir tempo na negociação.
Erro 3: Confiar apenas na palavra do vendedor sobre o saldo devedor
Sempre pegue a documentação oficial do banco. O que o vendedor “acha” que deve raramente é o valor real.
Erro 4: Não ter um plano B se o comprador reprovar na análise de crédito
Se o comprador não for aprovado para assumir o financiamento, qual a alternativa? Pense nisso antes.
Erro 5: Esquecer de baixar a alienação na matrícula
Mesmo com a quitação, a alienação precisa ser baixada formalmente no Cartório de Imóveis. Sem isso, o imóvel continua “preso”.
Erro 6: Não esclarecer sobre a responsabilidade tributária
Deixe claro para ambas as partes quem paga IPTU, condomínio e outras taxas durante a transição.
Erro 7: Fazer “atalhos” para agilizar o processo
Não existe atalho seguro quando se trata de alienação fiduciária. O caminho correto pode ser mais longo, mas é o único que protege todos.
Perguntas frequentes sobre alienação fiduciária
Posso vender um imóvel financiado antes de quitar? Sim, mas o banco precisa autorizar e participar do processo. Você não pode simplesmente fazer um contrato paralelo.
Quanto tempo demora para transferir um financiamento? Entre 30 e 60 dias em média, dependendo da agilidade do banco e da documentação do comprador.
O comprador precisa usar o mesmo banco? Não necessariamente. Ele pode fazer portabilidade para outro banco ou quitar e fazer um novo financiamento em outra instituição.
O que acontece se o vendedor não avisar o banco? Ele continua responsável pelas parcelas, tributos e qualquer problema com o imóvel. Além disso, o contrato de venda pode ser anulado.
Dá para negociar o valor do saldo devedor com o banco? Em alguns casos sim, especialmente se houver inadimplência. Mas não conte com isso como estratégia principal.
Alienação fiduciária é melhor que hipoteca? Para financiamentos habitacionais, sim. As taxas são menores e o processo de aprovação é mais simples.

Checklist: Vendendo um imóvel com alienação fiduciária
Use este checklist em todas as suas vendas de imóveis alienados:
Fase 1 – Levantamento inicial
- Confirmar que o imóvel está sob alienação fiduciária
- Solicitar saldo devedor atualizado ao banco
- Verificar situação de pagamento do vendedor
- Obter matrícula atualizada do imóvel
- Identificar o banco credor e contatos
Fase 2 – Análise de viabilidade
- Consultar condições do banco para transferência
- Avaliar perfil de crédito do comprador
- Calcular custos totais da operação
- Definir forma de quitação (total ou transferência)
- Elaborar proposta detalhada
Fase 3 – Formalização
- Solicitar substituição do alienante ao banco
- Apresentar documentação do comprador
- Aguardar análise de crédito
- Obter aprovação formal do banco
- Assinar aditivo contratual ou novo contrato
Fase 4 – Finalização
- Realizar quitação (se aplicável)
- Obter carta de quitação do banco
- Baixar alienação na matrícula do imóvel
- Lavrar escritura de compra e venda
- Registrar no Cartório de Imóveis
- Transferir contas de água, luz, IPTU
Conclusão: Transforme alienação fiduciária em oportunidade
Muitos corretores fogem de imóveis com alienação fiduciária por medo da burocracia. Mas a verdade é que esses imóveis representam uma enorme oportunidade de mercado.
Pense bem: milhões de brasileiros estão financiando imóveis neste momento. E uma parte deles vai precisar vender antes de quitar. Se você dominar esse processo, terá acesso a um nicho que muitos concorrentes evitam.
O segredo está em:
- Conhecer profundamente o processo legal
- Ter boa comunicação com bancos e cartórios
- Gerenciar expectativas dos clientes com transparência
- Usar tecnologia para organizar toda a operação
E é aí que a Tecimob se torna sua aliada estratégica. Com um CRM completo, site otimizado e aplicativo, você tem todas as ferramentas para gerenciar vendas complexas como essas com eficiência profissional.
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Conteúdo atualizado com base na Lei 9.514/97 e práticas atuais do mercado imobiliário.