O que é patrimônio de afetação e qual a sua importância.

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O patrimônio de afetação traz mais segurança para as negociações imobiliárias entre clientes e incorporações. 

Este procedimento é fundamental para o funcionamento e crescimento do mercado imobiliário. Já que serve para incentivar a compra de imóveis e proteger os envolvidos nestas transações.

Para adentrar neste tema, precisamos entender alguns elementos importantes deste processo. Vamos começar pelas incorporadoras, elas são responsáveis por construir e promover edificações. 

Elas estruturam e idealizam novos empreendimentos. De maneira resumida, elas iniciam o desenvolvimento de uma construção e venda destes futuros imóveis. 

A incorporação imobiliária por outro lado reflete o conjunto de ações relacionadas à venda desses imóveis ainda na planta ou em andamento. 

Desta maneira, os empreendimentos podem ser finalizados através dos recursos advindos das vendas efetuadas.

Para que esta prática ocorra de maneira clara e segura, existem as Leis imobiliárias que dão respaldo jurídico para que este procedimento ocorra. 

Uma dessas Leis é a Lei do Condomínio e Incorporações ou como também é conhecida: Lei de Incorporação Imobiliária. 

O propósito desta norma é regulamentar as incorporadoras em todo o processo de desenvolvimento de uma construção até sua venda/aluguel. 

Ela garante que o projeto será exatamente como está na planta e que a construção será realizada conforme foi estabelecido pela incorporadora. 

Para isso, o responsável pela incorporadora precisa ir até um cartório imobiliário e realizar o processo de legalização do empreendimento. 

O patrimônio de afetação veio para garantir que os imóveis sejam entregues para seus compradores. 

Porém o termo ainda é motivo de dúvidas entre corretores de imóveis, profissionais imobiliários e principalmente nos clientes, que têm receio de comprar imóveis na planta. 

Por isso, preparamos este conteúdo para esclarecer o que é o patrimônio de afetação e qual a sua importância. 

O que é patrimônio de afetação?

Patrimônio de afetação

O patrimônio de afetação trata-se do processo que separa o terreno onde será o empreendimento dos outros bens da incorporadora.  Esta norma foi regulamentada em 2004, pela Lei 10.931

Esta, por sua vez, foi responsável por fazer alterações na Lei 4.591 de 1964 que trata de condomínios em edificações e as incorporações imobiliárias.

Este regulamento serve para proporcionar mais segurança para os envolvidos no processo de incorporação imobiliária e negociação de imóveis

Resumidamente, os responsáveis podem colocar seu empreendimento sob o regime de afetação, ou seja ele poderá ser atribuído a realização da incorporação e também a transmissão dos imóveis para seus respectivos compradores. 

Isto significa que os patrimônios do incorporador serão separados por um meio próprio.

Para que isso ocorra, o empreendimento precisa de um CNPJ exclusivo durante as obras. Desta maneira ele estará separado financeiramente da incorporadora. E também contará com seu próprio regime de tributação. 

O documento para oficializar este processo deve ser firmado pelo incorporador e em certas circunstâncias, pelos compradores das unidades que fazem parte do empreendimento. Depois deve ser escriturado no Cartório de Registro de Imóveis adequado. 

Este procedimento pode ser feito logo que o empreendimento for registrado no Memorial de Incorporação, mas também pode ser regularizado depois. Após isso, ele será apresentado na matrícula do imóvel. 

Desta forma, o patrimônio fundamentado arcará com os direitos e deveres que tenham associação com a incorporação. 

E claro, assegurará aos interessados em comprar os imóveis que eles terão proteção jurídica, caso o empreendimento seja descontinuado por diferentes fatores, entre outros problemas que podem ocorrer durante a construção etc…

Qual a importância do patrimônio de afetação?

Importância do patrimônio de afetação

Como já citamos, o patrimônio de afetação tem o objetivo de assegurar que o empreendimento será finalizado e os imóveis serão transferidos para seus compradores, mesmo que a incorporadora responsável declare falência. 

O cliente comprador terá mais segurança financeira, pois o patrimônio de afetação quer dizer que as contas são separadas, ou seja, a falência da incorporadora, não afeta o empreendimento, até porque, neste processo, é feita uma conta bancária própria para a construção. 

Por este motivo, a empresa não consegue usar os recursos de uma construção para pagar outras, os fundos de cada uma das edificações estarão seguros. 

Na Lei, também é descrito que pode-se criar uma comissão de representantes para fiscalização da obra. Podendo ser formada por clientes que compraram os imóveis ou por alguém de confiança destes clientes. 

A comissão deve receber demonstrativos regularmente sobre as etapas da obra e também de sua situação fiscal, desta forma, o processo fica mais claro para o consumidor. 

Esta também é uma forma de dar mais segurança para os envolvidos. Importante ressaltar que este procedimento é devido há casos de incorporadoras que não fizeram a entrega dos imóveis, gerando um grande dano para quem havia os adquirido. 

Vantagens do patrimônio de afetação:

Além da segurança jurídica no contrato imobiliário, da proteção aos compradores e da possibilidade de fiscalizar o andamento da obra, existem outras vantagens proporcionadas pela afetação imobiliária:

  • Mercado imobiliário fortificado e gerando mais confiança;
  • Contabilidades distintas para empreendimento e incorporadora;
  • Financiamento da obra mais barato;
  • Controle de recursos referentes à incorporação;
  • Contribui para aumentar as vendas na planta;
  • Todos os débitos tributários ou trabalhistas ficam restritos ao empreendimento em andamento;
  • Caso a empresa construtora ou incorporadora entre em falência, os compradores podem continuar o empreendimento;
  • Benefícios fiscais por aderir ao Regime Especial de Tributação (RET).

Para que este último seja válido, o procedimento do patrimônio de afetação precisa ser feito da maneira certa. 

Impacto do patrimônio de afetação no mercado imobiliário

O patrimônio de afetação tem um impacto significativo no mercado imobiliário, trazendo efeitos positivos para as negociações e contribuindo para a segurança e credibilidade do setor. 

Ao garantir a separação dos ativos e passivos de um empreendimento imobiliário, essa figura jurídica oferece proteção tanto para os compradores quanto para os vendedores e demais partes envolvidas em transações imobiliárias.

Uma das principais vantagens do patrimônio de afetação é a segurança que ele proporciona aos compradores. 

Ao investir em um empreendimento afetado, os compradores têm a garantia de que os recursos destinados à construção do imóvel serão utilizados exclusivamente para esse fim. 

Isso reduz os riscos de desvio de verbas, ou que o projeto não seja finalizado, aumentando a confiança dos compradores no mercado imobiliário.

Além disso, o patrimônio de afetação também traz benefícios para os vendedores e financiadores. 

Ao separar os ativos e passivos do empreendimento, esse mecanismo legal permite que os vendedores tenham uma gestão financeira mais eficiente, protegendo o patrimônio pessoal em caso de problemas financeiros relacionados ao empreendimento. 

Isso também facilita a obtenção de financiamentos, uma vez que o patrimônio de afetação oferece maior segurança aos financiadores.

Outro aspecto importante do impacto do patrimônio de afetação no mercado imobiliário é a sua contribuição para a credibilidade do setor. 

Ao promover transparência e segurança nas transações imobiliárias, o patrimônio de afetação atrai investidores e impulsiona o crescimento do mercado. 

Com a confiança dos compradores e investidores, o mercado imobiliário se torna mais dinâmico e atrativo, beneficiando toda a cadeia produtiva.

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Aspectos legais do patrimônio de afetação

Confira os aspectos legais do patrimônio de afetação e sua relação com o mercado imobiliário, especialmente para o trabalho do corretor de imóveis.

Para os corretores de imóveis, o conhecimento das leis relacionadas ao patrimônio de afetação é essencial. Eles devem entender as disposições legais e os direitos e deveres que as cercam, a fim de oferecer um serviço de qualidade e confiança para seus clientes.

Uma das responsabilidades do corretor de imóveis é informar aos compradores sobre a existência e os benefícios do patrimônio de afetação. 

Eles devem explicar como essa figura jurídica garante a segurança das transações imobiliárias, protegendo os investimentos dos compradores.

Responsabilidades dos corretores de imóveis no patrimônio de afetação

Além de conhecer as leis e regulamentos relacionados ao patrimônio de afetação, os corretores de imóveis têm outras obrigações no processo de negociação imobiliária. 

Algumas de suas responsabilidades incluem:

  • Conhecer detalhadamente as características e benefícios do patrimônio de afetação e ser capaz de explicá-los aos compradores;
  • Pesquisar e verificar a existência de patrimônio de afetação em empreendimentos imobiliários;
  • Informar aos compradores sobre os riscos e benefícios associados ao patrimônio de afetação;
  • Garantir a transparência e a veracidade das informações fornecidas aos clientes;
  • Acompanhar e orientar os compradores durante todo o processo de negociação e formalização do contrato.

Desafios e limitações do patrimônio de afetação

O patrimônio de afetação é uma figura jurídica de extrema importância e que traz diversos benefícios para o mercado imobiliário e as transações imobiliárias. No entanto, é essencial reconhecer que também existem desafios e limitações associados ao seu uso.

1. Obstáculos na aplicação do patrimônio de afetação

A adoção do patrimônio de afetação pode encontrar alguns obstáculos, tais como resistência ou falta de conhecimento por parte dos envolvidos nas negociações imobiliárias. 

Algumas pessoas podem não compreender completamente os mecanismos e benefícios, o que pode dificultar a sua utilização.

2. Restrições legais e regulatórias

O patrimônio de afetação está sujeito a legislações e regulamentações específicas, que podem trazer restrições em relação à sua utilização. 

Essas restrições podem variar de acordo com a jurisdição e os requisitos legais locais, o que pode limitar sua aplicação em determinados casos.

3. Dependência de profissionais qualificados

Para lidar adequadamente com o patrimônio de afetação, é fundamental contar com a assessoria de profissionais especializados e qualificados na área jurídica imobiliária. 

A correta aplicação dessa figura jurídica demanda conhecimento técnico e experiência, o que ressalta a importância de se ter profissionais capacitados envolvidos nas transações imobiliárias.

4. Complexidade na gestão do patrimônio de afetação

O patrimônio de afetação requer uma gestão cuidadosa. A separação dos ativos e passivos do empreendimento imobiliário exige um acompanhamento constante e criterioso, para garantir que a destinação dos recursos seja feita de acordo com as diretrizes legais e os interesses das partes envolvidas.

5. Necessidade de segurança jurídica

Embora o patrimônio de afetação ofereça benefícios significativos em termos de segurança nas transações imobiliárias, é fundamental que haja segurança jurídica para todas as partes envolvidas. 

Isso implica em um processo transparente e bem documentado, além de mecanismos efetivos de proteção e fiscalização.

Mesmo com esses desafios e limitações, o patrimônio de afetação continua sendo uma ferramenta valiosa para proporcionar maior segurança e confiabilidade nas negociações imobiliárias. 

Com o apoio adequado e o conhecimento necessário, é possível superar esses obstáculos e aproveitar os benefícios que essa figura jurídica oferece.

Compra de imóveis na planta:

Compra de imóveis na planta

O patrimônio de afetação impacta diretamente na compra de imóveis na planta. Em caso de desistência, a Lei do Distrato também conta com diretrizes referentes às multas cobradas.

Existe um limite, determinado pela Lei, que a multa cobrada pela incorporadora é limitada a 25% do valor pago, em caso de não ter justa causa para a desistência. 

Mas no caso do empreendimento estar sob regime de afetação a multa pode chegar a 50% do valor.  

Confira o que diz a Lei do Distrato que cita a o patrimônio de afetação:

“§ 5º Quando a incorporação estiver submetida ao regime do patrimônio de afetação, de que tratam os arts. 31-A a 31-F desta Lei, o incorporador restituirá os valores pagos pelo adquirente, deduzidos os valores descritos neste artigo e atualizados com base no índice contratualmente estabelecido para a correção monetária das parcelas do preço do imóvel, no prazo máximo de 30 (trinta) dias após o habite-se ou documento equivalente expedido pelo órgão público municipal competente, admitindo-se, nessa hipótese, que a pena referida no inciso II do caput deste artigo seja estabelecida até o limite de 50% (cinquenta por cento) da quantia paga.”

Quando é finalizado o patrimônio de afetação?

Normalmente as obrigações da incorporadora terminam após a averbação da construção, registro de títulos de domínio ou de direito de aquisição no nome dos compradores (ou financiador).

O regime pode ser revogado, caso a incorporação seja denunciada por algum motivo, nestas condições os adquirentes têm seus investimentos devolvidos. 

A comissão dos compradores, que citamos anteriormente, também pode decidir acabar com o patrimônio de afetação.

Por fim, é essencial que os profissionais do mercado imobiliário compreendam e utilizem corretamente o patrimônio de afetação, buscando a assessoria de especialistas para lidar com este tipo de processo. 

Dessa forma, poderão garantir transações mais seguras e confiáveis, promovendo um mercado imobiliário cada vez mais sólido e transparente.

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